CONHEÇA O MOVIMENTO ESPÍRITA BRASILEIRO

Em dezembro de 1883, Elias da Silva, Manoel Figueira e Pinheiro Guedes junto com outros idealistas do Espiritualismo reuniam-se para fundar no Rio de Janeiro a Federação Espírita Brasileira - FEB.

Registrada no dia 2 de janeiro de 1884, a FEB nasce antes mesmo da Proclamação da República, que viria a ocorrer cinco anos depois, já com a denominação de Federação em pleno final do Império! Ainda se vivia no Brasil o sistema monarquista de governo e a Casa-Mater do Espiritismo surge com a missão de promover o estudo, a prática e a divulgação doutrinária, com base no Evangelho de Jesus, revivendo a pureza do Cristianismo em seus primeiros séculos de existência na Terra.

Sua concepção de origem espiritual previa a organização federativa em células a serem implantadas em cada futuro estado brasileiro, como iniciativa das regiões ou das unidades da federação.

Assim é que após a fundação da FEB, cada estado foi gradativamente implantando também uma instituição responsável pela coordenação do movimento espírita em seu território. Surgiram as federativas estaduais ou as uniões espíritas.

Hoje contamos com várias dessas instituições centenárias. Além da própria FEB, naturalmente a mais antiga, temos em ordem de antiguidade a relação que se segue, resultado do trabalho de pesquisa histórica do confrade Samuel Nunes Magalhães²:

1. Federação Espírita do Paraná (FEParaná) – 24.8.1902
2. Federação Espírita Amazonense (FEA) – 1.1.1904
3. Federação Espírita Pernambucana³ (FEP) – 8.12.1904
4. União Espírita Paraense (UEP) – 20.5.1906
5. Federação Espírita do Estado de Alagoas[4] (FEAL) – 6.1.1908
6. União Espírita Mineira[5] (FEEB) – 25.12.1915
7.Federação Espírita do Estado da Bahia[6] (FEEB) – 25.12.1915
8. Federação Espírita Paraibana (FEPB) – 16.1.1916
9. Federação Espírita do Rio Grande do Sul (FERGS) – 17.2.1921
10. Federação Espírita do Estado do Espírito Santo[7] (FEEES) – 27.3.1921
11. Federação Espírita do Rio Grande do Norte (FERN) – 26.4.1926
12. Federação Espírita Catarinense (FEC) – 24.4.1945
13. União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (USE) – 1.7.1947
14. Federação Espírita do Estado de Goiás[8] (FEEGO) – 3.10.1950
15. Federação Espírita do Estado de Sergipe (FEES) – 5.11.1950
16. Federação Espírita Piauiense (FEPI) – 27.11.1950
17. Federação Espírita do Maranhão[9] (FEMAR) – 1.12.1950
18. Federação Espírita do Estado do Mato Grosso (FEEMT) – 14.12.1956
19. Federação Espírita do Distrito Federal[10] (FEDF) – 1.12.1962
20. Federação Espírita do Estado do Acre (FEAC) – 16.7.1975
21. Federação Espírita de Rondônia (FERO) – 11.1.1977
22. Federação Espírita Roraimense (FER) – 15.1.1977
23. Federação Espírita do Amapá (FEAP) – 16.7.1977
24. Federação Espírita do Mato Grosso do Sul (FEMS) – 31.3.1979
25. Federação Espírita do Estado do Tocantins (FEETINS) – 8.4.1989
26. Federação Espírita do Estado do Ceará[11] (FEEC) –21.10.1990
27. Conselho Espírita do Estado do Rio de Janeiro[12] (CEERJ) – 26.3.2006

Parece tudo muito simples quando vemos uma relação já pronta de nomes de diversas instituições. Ocorre que, por detrás de cada um dessas identidades, há uma história viva, dinâmica, rica em experiências e aprendizagens conferidas ao longo do tempo de enfrentamentos, desafios e realizações.

Cada trabalhador que integrou e integra tais entidades poderá falar sobre sua trajetória na superação de dificuldades e limites impostos pelas circunstâncias e pelas culturas. Como também, poderá se lembrar com saudades das superações dos sérios e intrincados problemas enfrentados, sejam de ordem material ou espiritual.

Para fortalecer a união solidária entre as entidades federativas existentes à época, surge por esforço de denodados e visionários companheiros de lides doutrinárias um acordo assinado na cidade do Rio de Janeiro em 5 de outubro de 1949, que ficou conhecido como Pacto Áureo, devido a sua importância para a organização e expansão do Movimento Espírita brasileiro.

Resultante desse Acordo, foi criado o Conselho Federativo Nacional, como órgão da FEB que se constitui na reunião dos representantes de cada estado do país. O CFN reúne-se ordinariamente uma vez por ano, geralmente na primeira quinzena do mês de novembro na sede da FEB em Brasília para dialogar sobre propostas e diretrizes que visam à implementação de estudos, práticas e iniciativas, objetivando aperfeiçoar a difusão do Espiritismo a fim de que a Doutrina chegue ao maior número de pessoas em todo o país e, consequentemente em todo o mundo.

Para organização e divulgação do Espiritismo no exterior, foi criado o Conselho Espírita Internacional em 1992, hoje formado pela reunião de representantes espiritistas de mais de 30 países.

Todo o serviço de dedicados colaboradores anônimos em sua maioria resulta em campanhas e promoções, diretrizes e práticas em consonância com o ensino moral estabelecido no Evangelho de Jesus.

Para tanto, foi aprovado em 2014 o Plano de trabalho para o movimento espírita brasileiro: 2013-2017, trazendo como elementos: diretrizes de ação; objetivos; ações e projetos; e avaliação.

As diretrizes de ação que norteiam o plano são:

1 – A difusão da Doutrina Espírita;

2 – A preservação da unidade de princípios da Doutrina Espírita;

3 – A comunicação social espírita;

4 – A adequação dos centros espíritas para o atendimento de suas finalidades;

5 – A multiplicação dos centros espíritas;

6 – A união dos espíritas e a unificação do Movimento Espírita;

7 – A capacitação do trabalhador espírita;

8 – A participação na sociedade.

 Documento certamente inspirado pelo Plano Maior da Vida, que envolve federativas e as unidades fundamentais do movimento, que são os centros espíritas, é esse plano de trabalho que se encontra em plena execução Brasil e mundo afora, merecedor de nossa atenção e empenho, no intuito de todos participarmos, doando nossa cota de colaboração nesse valioso movimento de implantação do Reino de Deus na Terra a iniciar-se pelo coração de cada um de nós.

NOTAS:

1 Artigo publicado na Tribuna Espírita, ano 34, n. 188, nov./dez. 2015.

2 Autor dos  livros: Charles Richet: o apóstolo da ciência e o Espiritismo; Anna Prado: a mulher que falava com os mortos, ambos publicados pela FEB Editora.
3 O primeiro estatuto da Federação Espírita Pernambucana informa que ela foi fundada em 8.12.1915, sendo o seu primeiro presidente, o Sr, Manuel Aarão. O Centro Espírita Regeneração, que lhe foi antecessor, e, cuja data de fundação é tida como a de criação da Federação, fundou-se, conforme seu primeiro estatuto, em 7.12.1904 e não em 8.12.1904.
4 Criada inicialmente com o nome de Federação Espírita Alagoana.
5 Criada inicialmente como Federação Espírita Mineira.
6 Fundada inicialmente com o nome de União Espírita Baiana. Somente em 25.12.1975 passou a denominar-se Federação Espírita do Estado da Bahia.
7 Criada inicialmente com o nome de Liga Espírita de Vitória.
8 Fundada inicialmente como União Espírita Goiana. Somente em outubro de 1972 passou a denominar-se Federação Espírita do Estado de Goiás.
9 Em agosto/1906, Reformador noticiou a criação da Federação Espírita Maranhense.
10 Fundada como União das Sociedades Espíritas do Distrito Federal, em 1 de dezembro de 1962, teve seu nome alterado para União Espírita do Distrito Federal, em 12 de setembro de 1970,  e, finalmente, para Federação Espírita do Distrito Federal, em 1 de janeiro de 1973.
11 Antecederam à Federação Espírita do Estado do Ceará, as seguintes entidades federativas estaduais: Centro Espírita Cearense, Federação Espírita Cearense e União Espírita Cearense.
12 Fusão entre FEERJ e a USEERJ. A FEERJ foi criada em 30 de junho de 1907, na Cidade de Niterói, no então Estado do Rio de Janeiro. A USEERJ, inicialmente Liga Espírita do Brasil, fundada em 31 de março de 1926, teve a sua denominação modificada para Liga Espírita do Distrito Federal, em 12 de março de 1950; para Liga Espírita do Estado da Guanabara, em 20 de dezembro de 1960; para Federação Espírita do Estado da Guanabara, em 30 de janeiro de 1972; para Federação Espírita do Estado do Rio de Janeiro / Seção Capital, em 15 de novembro de 1975; e para União das Sociedades Espíritas do Estado do Rio de Janeiro, em 14 de junho de 1981.

Fonte: Febnet.org.br